SESSÃO TUTORIAL                                                                                    

                         

 



 BULHAS CARDIACAS

As bulhas cardíacas são vibrações de curta duração, que ocorrem a determinados intervalos do ciclo cardíaco, produzidas pelo impacto da corrente sangüínea nas diversas estruturas cardíacas e dos grandes vasos. Normalmente ocorrem 4 ruídos mas apenas 2 são normalmente audíveis.

 

                 Primeira Bulha

                 A primeira bulha é o som produzido pelo início da sístole ventricular. Apesar do principal componente do som ser valvar (fechamento da valva mitral e tricúspide), fazem parte da primeira bulha componentes atriais, musculares (contração muscular ventricular) e vasculares (abertura das valvas sigmóides). A duração do som é de 0,10 a 0,12s, tempo muito curto para o ouvido humano distinguir os componentes do som.

A Segunda Bulha

                 A segunda bulha ocorre ao final da sístole ventricular, resultando das vibrações originárias do fechamento das valvas semilunares. A valva aórtica normalmente se fecha primeiro, seguida da valva pulmonar. No entanto a intensidade dos 2 componentes é dependente da pressão média aórtica e pulmonar. Assim o componente aórtico é mais bem audível auscultado em todos os focos, mas o pulmonar menos intenso é melhor audível no foco pulmonar e no 3º EIE. A separação entre os componentes A2 e P2 é variável com a respiração chegando a ser coincidentes no final da expiração separando-se de até 0,08s na inspiração com valor médio de 0,03 a 0,04s. O desdobramento resulta de um maior retorno venoso provocado pela pressão negativa intratorácica. O maior volume do VD exigirá maior tempo de ejeção, retardando o fim da sístole direita e o componente pulmonar da 2º bulha. A inspiração também gera um menor retorno de sangue ao coração esquerdo, acelerando a ejeção esquerda e adiantando o componente aórtico. Este desdobramento é chamado de fisiológico.

 

 

 

Terceira Bulha

                 A terceira bulha é resultante do fluxo sangüíneo que chega ao ventrículo durante a fase de enchimento rápido, sendo registrada no final desta fase no momento da desaceleração do fluxo e início da fase de enchimento lento. Em relação ao pulso venoso ocorre pouco antes do ponto y (ápice do colapso y). Qualquer condição que aumente este fluxo modifica esse som. Na faixa da audição estetoscópica (120~500Hz) o som normal é muito pequeno sendo inaudível normalmente, mas registrável ao fonocardiograma. A intensificação da 3º bulha pode resultar de condições extra-cardíacas que aumentam o fluxo sangüíneo para o ventrículo, como hipertireoidismo, anemia, gravidez, febre. Condições cardíacas que intensificam a 3º bulha são a insuficiência orovalvar mitral, a PCA, a CIV e nas cardiomegalias que ocorrem na insuficiência cardíaca.

A Quarta Bulha

                 A quarta bulha é um som de baixa amplitude (menor até que a 3º bulha), sendo também portanto, normalmente inaudível. Ocorre pela vibração da parede ventricular ao fluxo proveniente da sístole atrial. Normalmente de curta duração (max. 0,08s). Coincide com a onda "a" do apexcardiograma, precede a onda "a" do pulso venoso e sucede a onda P do ECG. O 4º ruído aumenta de amplitude quando ocorre diminuição da distensibilidade do ventrículo. O principal exemplo é o paciente portador de doença isquêmica miocárdica ou de hipertrofia ventricular. Pacientes com obstrução da entrada do fluxo ventricular (ex: estenose mitral) dificilmente apresentam a 4º bulha já que o fluxo estenótico não permite que ocorra fluxo suficiente na parede ventricular para gerar o ruído.

 

 

 O PULSO VENOSO JUGULAR

 


O fluxo sangüíneo que chega ao átrio direito transmite sua pressão de forma retrograda sobre as veias do pescoço. A veia jugular interna é onde a curva de onda venosa pode ser melhor percebida, por esta ser calibrosa e não possuir válvulas. As variações fisiológicas e patológicas da respiração, pressão intratorácica e freqüência cardíaca podem produzir alterações morfológicas sensíveis na curva venosa.

O traçado do pulso venoso é superponível ao da aurícula direita e está formado por ondas positivas e negativas que oscilam sem interrupção, sendo difícil determinar onde uma onda termina e outra começa.

                 A onda "a" do pulso venoso  resulta da contração auricular e começa cerca de 0,09s após a onda "P" do ECG. Seu pico precede ou coincide o o QRS, mas ocorre sempre antes da 1º bulha, sendo a onda mais alta do traçado venoso.

                 O colapso "X" é a continuação do ramo descendente da onda "a" e vai até a meso-tele sístole. É produzida não somente pelo relaxamento ventricular , mas também pelo deslocamento para baixo do plano AV durante a sístole. Seu ponto mais profundo é chamado ponto "X".

A onda "c" é um entalhe que ocorre na fase descendente da onda "a" e representa a fase da sístole onde ocorre o abaulamento da tricúspide. O colapso X se divide em X e X' pela onda C.

                 A onda "V" ocorre com o seguimento da sístole ventricular, onde a auricula direita continua se enchendo o que gera a ascenção da curva. O pico da onda V ocorre após a segunda bulha e coincide com a abertura da valva tricúspide. A pressão atrial cai subitamente formando nova depressão chamada de "Y". O ponto Y é o ponto mais baixo dessa depressão e coincide com a terceira bulha quando presente.

 


 

Semiologia Cardíaca - O Ciclo Cardíaco Normal

 

 

 

                 Três eventos interdependentes, mas não simultâneos, possibilitam o ciclo cardíaco: a despolarização celular; a contração miocárdica, que constituirá o ciclo fisiológico; e o movimento cinético do sangue e das valvas cardíacas que compõe o ciclo cardíaco propriamente dito. Apenas este último é o que determina o que estudamos como ciclo cardíaco. Assim devemos compreender que os eventos contráteis, são precedidos dos eventos de excitação elétrica e, por sua vez, os eventos hemodinâmicos sucedem os eventos contrateis. Só assim entenderemos os conceitos de sístole e diástole descritos abaixo. Para fins didáticos iniciamos o estudo no momento final da diástole ventricular, a sístole atrial.

 

                 A ativação elétrica do coração

 

                 A contração do músculo cardíaco depende diretamente da despolarização elétrica das células miocárdicas. É nesse momento que ocorre a entrada de cálcio no miócito que induzirá em última análise a sístole mecânica. O estímulo elétrico se origina nas células marca-passo do nó sino-atrial. A despolarização elétrica caminha pelo músculo atrial e chega ao nó atrioventricular, onde sofre um retardo fisiológico. Este retardo é que vai originar a contração seqüencial do átrio e ventrículo de forma harmônica. Teoricamente os átrios e ventrículos são isolados eletricamente, possuindo como ligação normal apenas o nó AV. Falhas nesse isolamento podem ocorrer através da existência de bandas musculares que atravessam o anel fibroso AV, formando as chamadas vias anômalas, responsáveis pela Síndrome de Wolf Parkinson White e por certas taquiarritmias. O estímulo elétrico se propaga aos ventrículos através do feixe de His e seus ramos, distribuindo-se por todo o miocárdio ventricular através das fibras de purkinje (veja anatomia do sistema de condução). A despolarização do sistema de condução obviamente antecede a contração mecânica. Assim vale assinalar a localização dos elementos eletrocardiográficos durante o ciclo cardíaco:  

                 1- A onda P se inscreve cerca de 40 ms antes do pico da onda P da curva de pressão atrial.

                 2- O QRS se inscreve no início da fase de contração isovolumétrica, linha 1 do gráfico 1).

                 3- O pico da  onda T (fase 3 do potencial de ação) ocorre ainda durante fase de sístole cardíaca, coincidindo com o pico de pressão ventricular.

                 4- A diástole coincidirá com a fase 4 do potencial de ação (linha isoeletrica entre T e a próxima onda P).

 

                 A contração do miocárdio e seus efeitos hemodinâmicos 

 

 

                 A contração isovolumétrica

 

                 Após a sístole atrial os ventrículos estão em sua capacidade máxima de volume e com sua maior pressão diastólica (pressão diastólica final ou PD2). As valvas aórtica e pulmonar encontram-se fechadas, pois as pressões diastólicas arteriais são bem maiores ainda que a pressão diastólica dos ventrículos. A ativação elétrica chega ao ventrículo e começa a fase de contração muscular. A pressão intracavitária sobe rapidamente e as valvas AV se fecham completamente. Ocorre aqui a primeira bulha (linha 1 da figura 1). Como as pressões atriais se assemelham muito e o ventrículo esquerdo, por ser maior, produz mais rapidamente maior pressão, a valva mitral se fecha primeiro que a tricúspide. Por um momento extremamente curto as cavidades ventriculares se isolam completamente, enquanto a contração do músculo ventricular se propaga. Em um certo ponto a pressão intracavitária ultrapassa a pressão diastólica das grandes artérias e as valvas semilunares se abrem.

 

                 A fase de ejeção

 

                 Com a abertura das valvas semilunares ocorre a expulsão do volume ventricular para as grandes artérias (fase ascendente da curava de pressão, após a linha 2 da figura 1). A contração do músculo cardíaco chega ao seu máximo no ápice da curva de pressão ventricular, que depois começa a se reduzir. A taxa da ejeção ventricular não depende apenas da força de contração do músculo cardíaco e do gradiente de pressão formado a nível das valvas, mas também das propriedades elasticas dos grandes vasos e da árvore arterial. 

 

                 O relaxamento e as fases de enchimento ventricular

 

                 Se pensarmos com atenção devemos entender que com o fim da contração muscular e o início da diástole fisiológica, na verdade ainda estamos no período da sístole cardíaca. A contração começa a se extinguir, com cada vez mais miofibrilas em estado de relaxamento, a partir do ápice da onda de pressão ventricular. A pressão se reduz (curva descendente da pressão ventricular da figura1 ) demorando ainda um certo período de tempo onda a ejeção ainda ocorre mas numa fase reduzida, mesmo com o músculo cardíaco já tendo iniciado seu relaxamento. Apesar do fluxo sangüíneo dos ventrículos para os grandes vasos diminuir muito, o fluxo sanguíneo na arvore arterial se mantém devido as propriedades elásticas das paredes dos grandes vasos (efeito Windkessel). Em um determina do ponto a pressão arterial supera a ventricular, fechando as valvas aórtica e pulmonar.  A diástole cardíaca começa quando estas valvas se fecham. Nesse instante ocorre o entalhe dicrótico da curva de pressão arterial.

 

                 O relaxamento isovolumétrico

 

                 O músculo cardíaco já com a fase de relaxamento iniciada gera uma queda repentina da pressão intracavitária. Em um dado momento a pressão arterial supera a pressão ventricular e as valvas se fecham, primeiro a aórtica por possuir maior pressão e em seguida a pulmonar. Aqui ocorre a segunda bulha (linha 3 - fig1). Durante alguns instantes a pressão ventricular permanece maior que a atrial e ambas as vias de entrada e saída permanecem fechadas, apesar do relaxamento ativo das fibras miocárdicas.

 

                 A diástole

                

                 a) A fase de enchimento rápido

                 Quando a pressão ventricular por fim se reduz abaixo da pressão atrial, que nesse momento é máxima (ápice da onda v da curva de pressão atrial - linha 4 - fig1) as valvas AV se abrem deixando passar um grande fluxo rapidamente em direção ao ventrículo. 70% do enchimento ventricular ocorre nessa fase.

 

                 b) Fase de enchimento lento

                 Também chamado de diastase. Com o enchimento do ventrículo e o fim da fase ativa do relaxamento do músculo cardíaco, ocorre uma desaceleração importante do fluxo. A valvas AV tendem a se fechar passivamente. No momento da desaceleração do fluxo rápido para o fluxo lento é que ocorre o 3º ruído cardíaco. O fluxo do átrio para o ventrículo é bastante reduzido, chegando a quase parar.

  

                 c) Sístole atrial

                 Nova contração atrial ocorre, finalizando o ciclo. As valvas AV se reabrem, momento em que ocorre a onda A da valva mitral ao ECO unidimensional e o 4º ruído cardíaco. A sístole atrial pode representar até 20% do volume diastólico final do ventrículo, sendo de grande importância para a manutenção do débito cardíaco nos pacientes que possuam algum tipo de restrição funcional do VE.

 

 

 

 

 


 

 

 
 



 Úlcera é definida como uma lesão aberta, com perda de tecido, que ocorre na pele ou nas mucosas, ou seja, é uma ferida. A úlcera péptica é uma lesão (ferida) da mucosa do aparelho gastrintestinal, que ocorre principalmente no estômago e no duodeno (porção inicial do intestino)."

 A úlcera péptica é uma doença comum, em todo o mundo, acometendo principalmente os indivíduos com idade entre 30 e 70 anos. Não existem dados brasileiros oficiais, mas acredita-se que até 10% da população tem, já teve ou terá úlcera péptica, em algum momento da vida.

Úlceras

Úlcera gástrica com citologia e RX contrastadoA úlcera é uma área focal da mucosa do aparelho digestivo que foi destruída pelos sucos digestivos. No caso da úlcera gástrica ou duodenal , a destruição é feita pelo ácido produzido  pelo estômago. A grande maioria das úlceras não são maiores que um grão de ervilha apesar disso podem causar grande descomforto e dor. No alto à esquerda visualiza-se um corte microscópico de uma úlcera onde a porção roxa mais escura representa a mucosa que está interrompida . Abaixo à direita vê-se uma radiografia demonstrando o local da úlcera. Ao centro, a representação da úlcera propriamente dita. No caso uma úlcera gástrica.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA ÚLCERA?

O sintoma mais comum é uma sensação de dor tipo queimação ou vazio na boca do estômago (região epigástrica). A dor geralmente ocorre entre as refeições e algumas vezes acorda o paciente durante a noite. Pode durar durante minutos ou horas e geralmente alivia quando o paciente se alimenta ou faz uso de anti-ácidos. Outros sintomas menos comuns incluem náusea , vômitos , perda do apetite e peso.

O QUE CAUSA A ÚLCERA?

ulceragast.jpg (26309 bytes)No passado acreditava-se erroneamente que a úlcera poderia ser causada pelo stress. Médicos atualmente sabem que há três causas principais. A mais comun é a infecção por uma bactéria chamada Helicobacter pylori (H.pylori). A segunda causa mais comum é o uso constante ou indiscriminado de medicações para dor chamados de anti-inflamatórios não esteróides (AINEs). A terceira causa seria um defeito no local onde a úlcera aparece que propicia o seu aparecimento. Atualmente o grande avanço na área das úlceras é o uso de antibióticos para combater o H.pyori. Estudos demonstram atualmente que com o uso de medicações para bloquear a produção de ácido estômago associado à antibióticos para erradicação do H.pylori pode-se obter uma cura de 80-90 % . Vários outros estudos mostram que um número considerável de pessoas têm a bactéria no estômago e não desenvolvem úlcera. A explicação encontrada por alguns cientistas é que além da infecção pela bactéria o paciente tem uma predisposição genética a ter úlcera.

QUAIS SÃO AS COMPLICAÇÕES DAS ÚLCERAS?

Hemorragia: O sangramento de uma úlcera pode ocorrer tanto no estômago como no duodeno sendo algumas vezes o primeiro sinal de suas existência. O sangramento pode ser lento causando uma anemia crônica e fadiga constante. Ou rápida podendo levar o paciente a Ter vômitos enegrecidos como "borra de café" ou evacuações enegrecidas e fétidas. ( o sangue sofre digestão e sua aparência torna-se enegrecida)

Perfuração: Quando as úlceras não são tratadas , o suco digestivo e ácido gástrico pode literalmente corroer a parede do estômago ou duodeno levando a uma perfuração. Derramamento abrupto de suco digestivo com ácido e alimento pode levar a uma dor intensa, aguda com necessidade de cirurgia de emergência pela presença de uma peritonite.

Obstrução: A presença da inflamação crônica de uma úlcera pode causar um inchaço local e cicatrização levando a diminuição do espaço por onde o alimento passa. Este fenômeno leva o paciente a ter vômitos tardios ( vomita conteúdo do almoço do dia anterior) e emagrecimento.

COMO AS ÚLCERAS SÃO DIAGNÓSTICADAS?

Sem dúvida atualmente o exame mais indicado é a endoscopia digestiva. Este constitui na inserção de um fino tubo, com uma luz na sua extremidade, através da boca até o esôfago, estômago e finalmente duodeno. É realizada com o uso de medicações sedativas . Durante o exame podem ser realizadas biópsias. A biópsia não causa qualquer dor ou desconforto e geralmente é do tamanho de uma cabeça de fósforo.

ulcera1.jpg (13046 bytes) ulcera2.jpg (13164 bytes)

Aspecto da visualização endoscópica de uma úlcera aguda.

Aspecto de uma úlcera crônica vista pelo endoscopista

Outro exame pedido em alguns casos especiais , que era utilizado antes do advento da endoscopia é o RX do tubo digestivo superior ( seriografia do esôfago , estômago e duodeno) . Este RX consiste na pessoa engulir um líquido branco e espesso enquanto são realizadas chapas seqüenciais.

TESTES PARA O HELICOBACTER PYLORI

Existem vários testes atualmente disponíveis para se descobrir a presença de bactéria. Pode ser realizado um exame de sangue onde se verifica a presença de anti-corpos contra a bactéria; um teste respiratório onde se verifica a presença da bactéria pelos produtos formados de seu metabolismo e um terceiro método é através da biópsia realizada durante as endoscopias.


Dispepsia

A dispepsia é a dor ou o desconforto localizado na região abdominal superior ou no tórax e que, freqüentemente, é descrita como a sensação de acúmulo de gases, de plenitude ou como uma dor tipo queimação. A dispepsia possui muitas causas. Algumas são distúrbios graves como, por exemplo, úlceras gástricas, úlceras duodenais, gastrite (inflamação do estômago) e câncer gástrico.

A ansiedade também causa dispepsia, possivelmente pelo fato de o indivíduo ansioso tender a suspirar ou a inspirar deglutindo ar, o que pode acarretar distensão gástrica ou intestinal e também eructação (arrotos) e flatulência. Além disso, a ansiedade pode aumentar a sensibilidade do indivíduo a sensações desagradáveis, de modo que pequenos desconfortos tornamse muito estressantes. A bactéria Helicobacter pylori pode causar inflamação e úlceras gástricas ou duodenais, mas não está claro se ela pode causar dispepsia leve nos indivíduos que não apresentam úlcera.

Sintomas e Diagnóstico

A dor ou o desconforto na região abdominal superior ou no tórax pode ser acompanhada por eructação e borborigmos (ruídos intestinais audíveis). Para alguns indivíduos, a ingestão de alimentos piora a dor, enquanto que, para outros, a alimentação a alivia. Outros sintomas incluem a falta de apetite, a náusea, a constipação, a diarréia e a flatulência. Freqüentemente, um indivíduo com dispepsia é tratado sem que sejam realizados exames laboratoriais. Quando estes são realizados, eles não conseguem identificar qualquer anormalidade em cerca de 50% dos casos.

Mesmo quando anormalidades são detectadas, elas freqüentemente não são responsáveis por todos os sintomas. No entanto, como a dispepsia pode ser um sinal de alerta precoce de uma doença grave, exames são solicitados em determinados casos. Quando a dispepsia persiste por mais do que algumas poucas semanas, quando ela não é responsiva ao tratamento ou quando ela é acompanhada por perda de peso ou por outros sintomas inusuais, o indivíduo é submetido a exames. Normalmente, os exames laboratoriais incluem o hemograma completo e a pesquisa de sangue oculto nas fezes.

Estudos radiográficos contrastados (com bário) do esôfago, do estômago ou do intestino delgado podem ser realizados quando o indivíduo apresenta dificuldade de deglutição, vômitos, perda de peso ou uma dor que melhora ou piora com a ingestão de alimentos. Um endoscópio (tubo de visualização de fibra óptica) é utilizado para examinar o interior do esôfago, do estômago ou da porção inicial do intestino e para a realização de uma biópsia da mucosa gástrica. A amostra de tecido coletada é examinada ao microscópio para se detectar a presença do Helicobacter pylori. Algumas vezes, outros exames podem ser úteis como, por exemplo, aqueles que mensuram as contrações esofágicas ou a resposta do esôfago ao ácido.

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 Furúnculose

  • Furúnculo: O furúnculo começa como uma infecção de um único folículo de pelo (folículo piloso). Os furúnculos podem crescer e tornar-se maiores que uma bola de golfe, geralmente aparecendo nas nádegas, face, pescoço, axilas e virilha.
  • Carbúnculo: Um carbúnculo é uma infecção de pele mais profunda, que envolve um grupo de folículos pilosos infectados em um local da pele. São achados freqüentemente carbúnculos na parte de trás do pescoço, ombros, quadris e coxas, e são especialmente comuns em homens de meia-idade e em idosos. Pessoas com diabete são mais prováveis de desenvolver carbúnculos.

O que é o Furúnculo


O furúnculo é uma infecção causada por bactéria, que causa a necrose
(destruição) do folículo pilossebáceo (cavidade onde nasce o pêlo).



Sintomas

A lesão inicia-se por um nódulo muito doloroso, vermelho, inflamatório, endurecido, quente e centrado por um pêlo, onde pode aparecer pequeno ponto de pus.

Com a evolução do quadro, ocorre o rompimento do nódulo, geralmente cicatrizando e deixando uma marca escura no local.

As lesões são mais freqüentes em áreas de dobras da pele, sendo muito comuns nas nádegas e virilhas.

Os furúnculos podem sair em qualquer parte do corpo que tenha folículos de pêlo e são mais freqüentes nos homens que nas mulheres.

Podem ser resultado do uso de algum ungüento gorduroso na pele, o qual fecha o folículo, ou podem ser causados também pelo uso de roupa justa, que fica em atrito com o folículo de pêlo.

O tamanho do furúnculo depende da profundidade da infecção, ou da profundidade do folículo de pêlo infectado.

Quanto mais profunda é a infecção, maior será o furúnculo.


Furunculose

Quando os furúnculos ocorrem repetidamente, a doença recebe o nome de furunculose e está associada a uma deficiência do organismo em evitar a infecção do folículo.

Quando várias lesões surgem simultaneamente, próximas e interligadas, e há a formação de focos múltiplos de necrose, principalmente na região da nuca, o quadro recebe o nome de antraz.

A doença é uma inflamação aguda da pele e do tecido celular subcutâneo e é mais freqüente em pessoas de idade avançada.

Pacientes com diabetes estão mais propensas desenvolverem a doença.



Tratamento

O tratamento é feito através de incisão, drenagem e antibióticos.

Nos casos muito dolorosos e com superfície amolecida, pode ser feita a drenagem da lesão, com alívio imediato da dor.

Além disso, há algumas providências que o paciente deve tomar, como aplicar compressas mornas no local algumas vezes ao dia.

Esse remédio caseiro vai fazer com que o furúnculo se abra ou que se absorva internamente.

O calor aumenta o fluxo do sangue na área, o que vai ajudar o corpo a lidar com as toxinas e limpar a infecção.

Além disso, o furúnculo não deve ser arrebentado, mas apertado com suavidade quando se rompe, para que o restante de pus seja eliminado.

Depois que ele se rompe, geralmente seca e desaparece em alguns dias.

O furúnculo também deve ser coberto para proteger a abertura contra uma nova infecção e para evitar que o líquido da drenagem suje a roupa

 

FEBRE



Mecanismo
A febre geralmente ocorre em resposta a substância pirogênicas (o mais conhecido é a interleucina 1), que são secretados pelas células como resposta inflamatória. Essas substâncias pirogênicas agem no hipotálamo (o termostato do corpo), reconfigurando-o para uma temperatura mais alta, e ao fazê-lo, evoca os mecanismos de aumento de temperatura do corpo, fazendo-o aumentar a temperatura a níveis acima do normal.

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DERRAME  PLEURAL

 

DEFINIÇÃO

 

A cavidade pleural contém uma quantidade relativamente pequena de fluido de aproximadamente 10 mL de cada lado. volume líquido pleural é mantido por um equilíbrio entre produção e remoção de fluidos, e as mudanças nas taxas de tanto podem potencialmente resultar na presença de excesso de fluido, tradicionalmente conhecido

O trabalho clássico da Luz et al, em 1972 demonstrou que 99% dos derrames pleurais podem ser classificadas em duas categorias gerais: transudative ou exsudativa (Veja os critérios da Luz no "Diagnóstico").A diferença básica é que transudatos, em geral, reflectem uma perturbação sistêmica, que geralmente significam exsudados subjacentes locais (pleuro-pulmonar) doença.

PREVALÊNCIA

Doença pleural, derrame pleural especificamente, é uma das clínicas mais comuns problemas encontrados pela medicina interna.As estimativas da incidência de derrame pleural variar, com cerca de estimar uma incidência anual de até um milhão nos Estados Unidos. As causas mais comuns de transudative derrames são a insuficiência cardíaca congestiva e hypoalbuminemic estados (por exemplo, cirrose hepática), enquanto as de malignidade são exsudativos derrames, infecções (por exemplo, pneumonia), e embolia pulmonar.

Fisiopatologia

O acúmulo de líquido pleural normalmente pode ser explicado por um ou mais dos seguintes factores:

1Aumento líquido pleural formação:

  1. Elevação da pressão hidrostática (por exemplo, insuficiência cardíaca congestiva) diminuiu colóide pressão osmótica (ex., cirrose, síndrome nefrótica) O aumento da permeabilidade capilar (por exemplo, infecção, neoplasia) Passagem de fluido através de aberturas no diafragma (ex., cirrose hepática com ascite)
  2. Redução do espaço pleural pressões (por exemplo, atelectasia)

2Diminuiu líquido pleural absorção:

  1. Obstrução linfática
  2. Elevação da pressão venosa sistêmica diminuída, resultando em drenagem linfática [por exemplo, veia cava superior (VPC), síndrome]

 

 

 

 

Sinusite         

                                                         Por  Dr. Drauzio  Varella
      Sinusite é a inflamação das mucosas dos seios da face, região do crânio formada por cavidades ósseas ao redor do nariz, maçãs do rosto e olhos.

Os seios da face dão ressonância à voz, aquecem o ar inspirado e diminuem o peso do crânio, o que facilita sua sustentação. São revestidos por uma mucosa semelhante à do nariz, rica em glândulas produtoras de muco e coberta por cílios dotados de movimentos vibráteis que conduzem o material estranho retido no muco para a parte posterior do nariz com a finalidade de eliminá-lo.

O fluxo da secreção mucosa dos seios da face é permanente e imperceptível. Alterações anatômicas, que impedem a drenagem da secreção, e processos infecciosos ou alérgicos, que provocam inflamação das mucosas e facilitam a instalação de germes oportunistas, são fatores que predispõem à sinusite.

Sintomas
As sinusites podem ser divididas em agudas e crônicas.

Na sinusite aguda, costuma ocorrer dor de cabeça na área do seio da face mais comprometido (seio frontal, maxilar, etmoidal e esfenoidal). A dor pode ser forte, em pontada, pulsátil ou sensação de pressão ou peso na cabeça. Na grande maioria dos casos, surge obstrução nasal com presença de secreção amarela ou esverdeada, sanguinolenta, que dificulta a respiração. Febre, cansaço, coriza, tosse, dores musculares e perda de apetite costumam estar presentes.

Na sinusite crônica, os sintomas são os mesmos, porém variam muito de intensidade. A dor nos seios da face e a febre podem estar ausentes. A tosse costuma ser o sintoma preponderante. É geralmente noturna e aumenta de intensidade quando a pessoa se deita porque a secreção escorre pela parte posterior das fossas nasais e irrita as vias aéreas disparando o mecanismo de tosse. Acessos de tosse são particularmente freqüentes pela manhã, ao levantar, e diminuem de intensidade, chegando mesmo a desaparecer, no decorrer do dia.

Recomendações
  • O mais importante é diluir a secreção para que seja eliminada mais facilmente;
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  • Na vigência de gripes, resfriados e processos alérgicos que facilitem o aparecimento de sinusite, beba bastante líquido (pelo menos 2 litros de água por dia) e goteje de duas a três gotas de solução salina nas narinas, muitas vezes por dia. A solução salina pode ser preparada em casa. Para cada litro d'água fervida, acrescente uma colher de chá (09 gramas) de açúcar e outra de sal. Espere esfriar antes de pingá-la no nariz;
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  • Inalações com solução salina, soro fisiológico ou vapor de água quente ajudam a eliminar as secreções;
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  • Evite o ar condicionado. Além de ressecar as mucosas e dificultar a drenagem de secreção, pode disseminar agentes infecciosos (especialmente fungos) que contaminam os seios da face;
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  • Procure um médico se os sintomas persistirem. O tratamento inadequado da sinusite pode torná-la crônica






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    O que é osteoporose (OP)?

    Osteoporose (OP) é a falta de cálcio nos ossos. O cálcio é o mineral necessário para tornar os ossos fortes o bastante para tolerarem nosso peso e movimentação de cada dia. Se, por qualquer razão, ocorre diminuição nesta quantidade de cálcio ideal dos ossos, passamos a ter risco aumentado de fraturas com movimentos leves e por vezes até em repouso. Acredita-se que uma pessoa portadora de osteoporose tenha risco sete vezes maior de fratura espontânea (sem traumas) que a população geral. Esse fato traz uma morbidade (limitação causada pela doença) e pode até trazer mortalidade, pois aumenta o risco de embolia pulmonar, quando se apresenta fratura não consolidada. A osteoporose é popularmente chamada de “osso fraco”.

    O que é osteoartrose (AO)?

    Osteoartrose (OA) é uma doença degenerativa da cartilagem articular, das articulações ou “juntas”, que ocorre sem muita inflamação e piora com o tempo, como se fosse parte do envelhecimento. Por afetar as articulações, é considerada popularmente como reumatismo, sendo dos reumatismos, o mais comum. As articulações são extremidades ósseas em contato entre si, que se movimentam para permitir mobilidade no espaço, tal qual a engrenagem de uma máquina. O problema é que esperamos que as engrenagens de nossa máquina (nossas articulações) “agüentem” movimentar-se sem problemas por anos, até “80 a 90 anos, mesmo sem revisão”... As superfícies destes ossos se “roçam” o tempo todo para este fim, e para que isso fosse possível sem dor ou gasto precoce, a natureza nos proporcionou algumas vantagens: a cartilagem da superfície articular e o líquido da cavidade articular.

    A cartilagem da superfície articular é formada por um tecido resistente para tolerar impacto, mas flexível para amortecê-lo. Essas características são fornecidas por moléculas de proteoglicanos e colágeno em sua estrutura, que contém tecido fibroso (forte) e elástico (flexível) em sua composição. Os proteoglicanos são moléculas com terminações de enxofre com capacidade de reter moléculas de água entre si, proporcionando um tipo de “colchão” de água para melhorar o amortecimento e a flexibilidade. O líquido articular é produzido pela cápsula que envolve a articulação (cápsula e membrana articular) e tem densidade viscosa graças a proteoglicanos e água em seu interior, como se fosse uma “graxa” diluída ou “óleo para fricção”. A osteoartrose se instala quando a cartilagem da superfície articular perde a capacidade de reter moléculas de água, perdendo sua flexibilidade e capacidade de amortecimento, produzindo pequenas fraturas (“quebradeiras”) a cada impacto da movimentação do corpo. Essas pequenas fraturas na superfície articular expõem o osso subjacente, fazendo-o gastar-se e formar-se de modo errôneo, tornando essa superfície irregular, rugosa e inadequada para o deslizamento das extremidades articulares (nossa, engrenagem...). É por isso que a osteoartrose é chamada de “articulação gasta” ou “osso gasto”.

    Por que existe confusão entre essas entidades: osteoartrose e osteoporose?

    A confusão entre osteoporose e osteoartrose se estabelece porque ambas apresentam:

    - Nome semelhante
    - Acometem ossos
    - Maior acometimento após a menopausa
    - Maior incidência em mulher
    - Incidência aumentada acima dos 45-50 anos
    - Melhoram com hormonioterapia
    - Podem ocasionar dor em região lombar e joelhos

    Porém, relembramos que são doenças distintas. Apesar da população acometida ser semelhante: “Osso fraco” diferente de “osso gasto”.

    Quais são os sintomas de OP?

    Geralmente a osteoporose é assintomática, pois não percebemos que o cálcio está sendo retirado do osso. Porém, a OP predispõe a microfraturas, e essas são dolorosas, podendo levar à diminuição da estatura, compressões de raízes nervosas e de outras estruturas próximas. Os sintomas mais comuns da OP são dor lombar (dor nas costas, perto dos rins e da bacia), com ou sem compressão dos nervos da coluna (como o nervo ciático, que inerva as pernas) e dores produzidas pelas grandes fraturas espontâneas. Relembramos que fraturas espontâneas são as que ocorrem em ossos sem esforço ou trauma, por vezes até em repouso e que a OP predispõe a paciente a um risco sete vezes maior de fratura espontânea que a população da mesma faixa etária e sexo. Os fatores de risco que predispõem à osteoporose são: mulher acima de 45 anos, menopausa, imobilidade compulsória e vida sedentária eletiva, baixa ingestão de cálcio, falta de tomar sol de manhã cedo ou no final da tarde, cigarro, álcool, desnutrição, doenças graves e drogas (corticóide).

    Quais são os sintomas de Osteoartrose?

    Acredita-se que 70% dos pacientes acima de 70 anos apresentem OA ao exame radiográfico, mas apenas 50% deles são sintomáticos. Aos 75 anos, 85% apresentam lesões visíveis ao raioX (RX). Acima dos 85 anos, 100% apresentam as lesões pela radiografia simples das articulações. Porém, os sintomas nem sempre acompanham a gravidade das lesões radiológicas (ao raio X). Isso ocorre dependente da articulação acometida e de suas alterações. A OA induz a rugosidade da superfície articular e reabsorção, com neoformação (formação de osso novo) óssea errônea. Essa neoformação óssea ocorre principalmente nas faces laterais da articulação, com formações calcificadas que posteriormente se tornam espículas ou “espinhos” ósseos, que são chamados de osteófitos. A osteofitose apresenta-se ao RX com a aparência de bico de ave e portanto, o leigo a denomina de “bico de papagaio” (vide fotos da coluna). Pode ocorrer na coluna, nos joelhos, articulação do quadril e até nos dedos das mãos. Nas mãos, os osteófitos apresentam-se como nódulos endurecidos na face lateral das articulações dos dedos (chamados de nódulos de Heberden, quando distais e Bouchard quando acometem a articulação dos dedos perto da mão, chamadas de articulações interfalangianas proximais) (vide foto das mãos). Geralmente esses nódulos são dolorosos no início de seu aparecimento, tornando-se indolores ao longo do tempo. Esses “bicos de papagaio” (osteófitos), quando presentes na coluna vertebral, podem deflagrar dor por compressão dos nervos que por aí passam, como por exemplo, os nervos das pernas, caracterizando a chamada dor “ciática” quando comprime o nervo ciático. Portanto, a OA produzirá sintomas de dor quando a superfície articular estiver muito rugosa ou quando um osteofito (bico de papagaio) pinçar (ou “cutucar”) uma estrutura que provoque dor, como um nervo da coluna. A dor geralmente é deflagrada pelo movimento e melhora com o repouso. Outros sintomas que podem ocorrer na osteoartrose, além da dor articular, são o inchaço da articulação, a crepitação (ruído) e instabilidade à movimentação da mesma conhecida por marcha em falso, limitação de movimentação, rigidez para o início do movimento e a rigidez da articulação.

    Os fatores de risco para OA são aqueles que predispõem à lesão precoce da articulação como: obesidade, mulher acima de 45 anos, menopausa e traumas de esforço agudo intenso (esportes) ou repetitivos (profissionais como costureira, digitadora).

    Como se faz o diagnóstico de osteoporose?

    A suspeita clínica é feita pela história e exame físico do paciente: fraturas espontâneas, diminuição do tamanho por microfraturas de coluna vertebral e fatores predisponentes. A confirmação da suspeita diagnóstica é feita pelo exame de imagem, a densitometria óssea, que avalia a concentração de cálcio ósseo da região lombar e parte proximal do fêmur (osso da coxa), por serem os locais de maior freqüência de fratura.

    Como se faz o diagnóstico de osteoartrose?

    O diagnóstico se faz pela presença dos sintomas (o que se sente) e sinais (o que se vê no exame físico e exames) típicos de OA nas articulações mais comumente acometidas por esse processo: articulações que suportem peso (joelhos, coxo-femurais ou da bacia com as pernas, coluna lombar na altura da bacia e dos rins, tornozelos) e articulações de movimento intenso (mãos, punhos, cotovelos e ombros e da coluna cervical - do pescoço).

    Os sintomas mais freqüentes são dor nas articulações principalmente ao movimento, que melhora com o repouso, rigidez das juntas no início do movimento (geralmente menor que 15 minutos), marcha em falso (joelho “falhar” quando anda), inchaço das articulações, aparecimento de nódulos duros, pouco dolorosos, por vezes com desvios nas articulações dos dedos das mãos, em pacientes com risco de OA.

    O exame físico constata a crepitação e as limitações de movimentação, podendo encontrar os nódulos de Heberden e Bouchard (vide foto das mãos). O RX apesar de ser o padrão ouro (melhor exame para o diagnóstico), mostra a OA com o clássico desgaste da superfície articular e presença de osteófitos (vide foto). Mas a presença de sinais radiológicos típicos de OA não é capaz de definir se a dor que a paciente apresenta é secundária à OA. Esse fator, quem determina é a história associada ao exame físico.

    O que devo fazer para prevenir a OP e a OA?

    A prevenção de ambas patologias é manter os ossos e as articulações/juntas saudáveis.

    Para isso, preconiza-se:

    a) Evitar imobilidade: a imobilidade induz a OP e piora a OA por enrijecimento das estruturas articulares: tudo o que não se usa, a natureza “aposenta”... Para tanto, deve-se fazer exercícios de rotina, no mínimo 3 vezes por semana, por 30 a 40 minutos, sem exaustão, de baixo impacto, de acordo com a idade e sexo, focando alongamento e fortalecimento das estruturas de alinhamento articular (musculatura periarticular, cápsula articular, tendões). Aconselha-se: andar, dançar, nadar, ioga e hidroginástica. Os exercícios aquáticos são executados com diminuição da gravidade e estimulam o alinhamento articular com alongamento muscular. O alongamento permite melhor mobilidade, com relaxamento da musculatura e melhora da dor. A atividade física também melhora a capacidade cárdio-pulmonar, a circulação dos vasos periféricos e dos órgãos internos e libera endorfinas, melhorando a dor crônica e a auto-estima. Além disso, permite atingirmos peso e corpos ideais para o biotipo.

    b) Alimentar-se bem com ingestão de proteínas e cálcio (laticínios) e vitaminas (frutas e verduras cruas), além de boa hidratação (mínimo de 2 litros de líquido por dia), para boa formação óssea e articular.

    c) Afastar fatores de risco: não fumar, não ingerir álcool e não ter sobrepeso (obesidade).

    d) Tomar sol (antes das 10h da manhã e após as 16h) por 15 minutos diariamente, para facilitar a formação de vitamina D, para a calcificação dos ossos.

    e) Educar-se (ler a respeito) sobre OP e AO.

    f) Munir-se, se necessário, de “ajudantes físicos”: materiais que diminuam o impacto e o risco de quedas, e que corrijam posturas: palmilhas, bengalas, alças de suporte em banheiro, etc.

    g) Evitar fatores que predisponham a quedas: pisos escorregadios, irregulares/esburacados ou com degraus mal assinalados, superfícies lisas (chão), tapetinhos, etc.

    h) Medidas físicas, como exercícios rotineiros, fisioterapia e acupuntura têm boa resposta na diminuição da dor, principalmente quando crônica.

    Orientações específicas:

    OP: Fazer densitometria óssea a partir dos 45 anos, com periodicidade conforme recomendação médica.

    OA: corrigir posturas inadequadas com orientação de médico(a) e fisioterapeuta e, se necessário, fazer exercícios com aplicações de aparelhos, sob supervisão.

    Medicamentos

    O medicamento deve ser prescrito e supervisionado por médico(a). As medicações mais utilizadas são os analgésicos, que podem ser utilizados localmente ou por boca. Para aplicação local, existem sob a forma de cremes, pomadas ou gel, substâncias analgésicas, anestésicas, antiinflamatórias e relaxantes musculares, além de outras que possuem drogas reparadoras de cartilagem, com bom resultado clínico. São aplicadas com massagens diárias, tendo efeito tópico que se associa ao alongamento e ao aquecimento proporcionados pela massagem.

    As medicações via oral (VO) devem ser sempre com prescrição médica. São elas:
    - analgésicos comuns e, se necessário, mais raramente, os antiinflamatórios, que apesar de tirarem a dor , podem provocar úlceras e sangramentos de estômago, e falência renal, entre outras complicações.

    - Hormônios: estrógenos, progesterona, vitamina D, calcitonina, bifosfonados (alendronatos), raloxifeno, andrógenos e outros. Todos devem ser tomados quando necessário e somente por indicação e acompanhamento médico, devido a prováveis efeitos colaterais.

    As cirurgias de limpeza, corretivas ou de trocas de articulações (próteses articulares) são indicadas em casos extremos, quando a conduta conservadora (disciplinar e medicamentosa) não conseguir restabelecer mobilidade adequada ou diminuir a dor (dor refratária).





















     

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